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Tratamento de esgoto não impede contaminação do Velho Chico


Como sabemos o nosso Velho Chico (Rio São Francisco) vem sofrendo com a poluição e a única maneira que especialistas encontraram para solucionar esse problema seria a construção e operação de estações de tratamento de esgoto (ETEs), mas as que já foram concluídas não impedem o envenenamento do rio e seus afluentes.

O mais recente desastre ecológico, somado ao baixo volume de água e a manobras na usina hidrelétrica de Paulo Afonso, na Bahia, foi o surgimento de uma mancha de algas tóxicas, as cianobactérias, que alcançou 28 quilômetros de extensão, entre a Bahia e Alagoas.

Interrompendo a captação de água de oito municípios alagoanos, no fim do mês passado.
O quadro começa a ser pintado em Minas, onde o Rio da Integração Nacional nasce e recebe 70% de seu volume. De acordo com o Estado de Minas sobre dados de qualidade de água da bacia do Alto São Francisco, a nascente, na Serra da Canastra, e a primeira grande represa, em Três Marias, todas as 25 amostras estudadas pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) em 2014 apresentaram contaminações acima dos níveis tolerados pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).

Amostras analisadas pelo Igam, indica que há contaminação de óleos e graxas em todos os corpos hídricos da bacia, um indicativo de despejos industriais e domésticos que prejudicam o abastecimento humano e animal e a vida aquática, por reduzir a quantidade de oxigênio da água. O afluente mais poluído do Rio São Francisco é o Ribeirão Marmelada, que passa pela cidade de Abaeté, antes de desaguar. Nesse curso d’água foram encontradas concentrações típicas de lançamentos de esgoto, como fósforo, em nível 206,6% acima do estabelecido pelo Conama, além da bactéria Escherichia coli, em concentração 5.274% superior à tolerável, um indicativo de ambiente propício à transmissão de doenças.

De acordo com a Companhia de Desenvolvimento do Vale dos Rios São Francisco e Parnaíba (Codevasf), 39 (68%) das 57 ETEs prometidas desde 2008 foram concluídas em Minas, ainda que nem todas estejam em funcionamento. Uma das que não saíram do papel foi a de Abaeté. O projeto foi acordado com a prefeitura em 2010 e custou R$ 443 mil. A obra, no valor de  R$ 35 milhões, nunca foi licitada. Em Iguatama, primeira cidade cortada pelo Rio São Francisco, a ETE, que custou R$ 2 milhões, também nunca funcionou, segundo a Codevasf pelo fato de a prefeitura local não ter terminado as ligações de esgoto. Dejetos também caem sem tratamento em São Roque de Minas, Lagoa da Prata e Bambuí. Após Três Marias, no Norte de Minas, há problemas de lançamentos de esgoto em Buritizeiro, que tem 28 mil habitantes, e Pirapora, de 56 mil, ambas sem ETE.

Segundo a Codevasf, “até o momento foram implantados aproximadamente 1,1 milhão de metros de redes coletoras, interceptores, redes de recalques e emissários, além de 39,5 mil ligações domiciliares”. “Após a conclusão das obras, o total de investimento ultrapassará R$ 500 milhões de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento. A população beneficiada será de aproximadamente 880.000 pessoas”, informa a empresa.

Em Três Marias, a ETE que foi construída pelo governo federal e repassada para a operação da Copasa é alvo de uma ação civil pública, por não conseguir tratar nem 60% do esgoto que chega à planta. A empresa de saneamento tenta na Justiça evitar uma multa diária pela poluição, e informou que “assumiu a operação da ETE de Três Marias em setembro de 2010 e, desde então, busca o aprimoramento da estação”. “Para 2016, está prevista no plano de investimentos da Copasa uma obra de ampliação da ETE de Três Marias no valor de R$ 1,7 milhão”.


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