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Entenda a polêmica que acabou no iminente afastamento do presidente da UMAC


Os últimos anos estão sendo tumultuados na União Municipal das Associações Comunitárias de Curvelo (UMAC), mantenedora da Rádio Comunitária. Vários acontecimentos, aliados a um trabalho incisivo da imprensa local, culminaram, nessa sexta-feira (16), na saída do atual presidente da entidade, Geraldo da Silva Pereira, popularmente conhecido como "Leão".  O ClickCurvelo.com reuniu alguns episódios dessa história para ajudar os leitores a entenderem todo esse tumulto.

Os problemas da UMAC se agravaram ainda em 2015, quando um decreto, publicado no Diário Oficial da União, revogou a outorga da emissora que perdeu o direito de usar o serviço de radiodifusão por não cumprimento de exigências no processo de renovação. (leia mais

Na ocasião, o jornal "E Agora?" publicou as informações destacando o decreto e o seu efeito de suspensão imediata em desfavor da UMAC. Meses depois a instituição conseguiu uma nova outorga para usar o serviço de radiodifusão.

Dirigido pelo jornalista Geraldo Magela de Abreu, o "E Agora?"  também é conhecido pela realização do tradicional concurso "Beleza Negra". A participação e os trabalhos do jornal de Magela não se limitaram a este episódio, sendo também decisivos para os eventos que viriam a se desencadear nos anos seguintes.

Eleição conturbada

Já em 11 de dezembro 2016, em uma eleição bastante tumultuada Leão foi reeleito presidente da UMAC, com 78 votos, contra 45 do seu adversário Ronaldo Ricardo da Silveira. Na época,  Ronaldo declarou ao "Jornal E Agora" que o Conselho Diretor, que historicamente participa do pleito, foi impedido de votar pela Comissão Eleitoral. O advogado Marco Antônio, também da chapa de Ronaldo, disse que fatos importantes não foram registrados em ata por exigência de Leão, então presidente da entidade. Marco Antônio prometeu ir até Brasília-DF para denunciar as diversas irregularidades ao Ministério das Comunicações. 

As declarações, feitas pelos adversários de Leão, foram publicadas pelo jornal "E Agora?" um dia após o pleito. No dia posterior ao da publicação do jornal, a rádio comunitária mantida pela UMAC, sofreu um incêndio que destruiu um de seus estúdios, o que levantou a hipótese de um atentado, suspeita que acabou não se confirmando posteriormente.

Acusações de Assédio

Na última quinta-feira (15), feriado da Proclamação da República, as paredes da UMAC voltaram a estremecer. Em uma reportagem difundida nas redes sociais do jornal "E Agora?", o jornalista Geraldo Magela expôs um processo contra o presidente Leão, no qual ele é acusado de Assédio por uma funcionária.

Além disso, o jornal também divulgou relatos e depoimentos da funcionária, identificada como Aline Sampaio Campos Araújo. Grávida, Aline relatou ao jornal que além de ter sido assediada, diante das negativas acabou sendo perseguida por Leão. "O presidente usa do seu poder administrativo para tentar se beneficiar de favores sexuais e quando não é atendido, simplesmente dispensa a pessoa do trabalho. No meu caso, estou gestante (grávida) e ele não pode me mandar embora, por força de lei, mas tenta a todo custo denegrir a minha imagem dizendo que, o filho que estou esperando não é do meu esposo e que tive um caso com ele. Além disso, tenho informações que ele andou espalhando entre os ouvintes que não presto e que não sou a pessoa que pareço ser", explicou a funcionária.

Os relatos de Aline aconteceram durante uma reunião extraordinária, convocada por diretores ligados a UMAC,  a fim de ouvir seus funcionários sobre alguns acontecimentos atípicos envolvendo o presidente. A reunião aconteceu na noite do último dia 09, sexta-feira, na Central dos Conselhos, em Curvelo.

Em entrevista ao jornal "E agora?", Aline disse que, as perseguições a sua pessoa começaram no início deste ano, quanto teria se recusado a se envolver sexualmente com o presidente. "Aí começaram as calúnias, difamações e falta de paz...", relembrou. "A pressão psicológica que estou vivendo é muito grande...Estou totalmente sem condições de nada...Espero que o presidente "Leão" não saia impune, uma vez que, não sou a primeira e infelizmente, não serei a última vítima desse doente", desabafou, emocionada.

Ainda segundo o jornal, ao final da reunião, ficou visível a preocupação de algumas lideranças comunitárias. A diretoria, composta por presidentes de Associações Comunitárias, prometeu afastar temporariamente o presidente Leão.

Afastamentos

Horas depois da reunião com a diretoria da UMAC, o diretor de Comunicação Social da Radcom, Bruno Ferreira da Silva Azevedo, comunicou, via grupo da entidade, o seu afastamento das funções que ocupava há três meses.

Uma reunião estaria marcada para a próxima terça-feira (20), com a participação de membros da diretoria da UMAC, Conselho Fiscal e de Comunicação Social da Radcom, onde seria pedido oficialmente o afastamento do presidente. No entanto, em seu último programa diário, nesta sexta-feira (16), emocionado, Leão se despediu dos ouvintes e confirmou o seu afastamento. "Até ontem eu era um herói. Hoje, sou um nada". Admitiu não ser profissional da comunicação e que apresenta o programa radiofônico "como uma brincadeira e diversão". Leão aproveitou o programa para atacar o jornal "E Agora?".  "É um jornal sem credibilidade. Todas as denúncias publicadas correm em segredo de Justiça", declarou o radialista.

Emotivo, Leão se confundiu com as palavras e também reclamou da forte reação das pessoas nas redes sociais. "Fui vítima de uma perseguição e vou provar o contrário". Alegou ter realizado "milhares de coisas boas" à frente da entidade e que o jornal nunca teria divulgado seus feitos, mas que, "no dia em que é acusado de alguma coisa, isso vira pólvora", desabafou.

Uma ouvinte chegou a participar do programa e criticar o apresentador "Depois de tudo você não tem vergonha na cara não?", sendo imediatamente retirada do ar.

Leão disse que a matéria veiculada no jornal o feriu bem como a sua família. "Eu tenho alguém por mim. Aquilo atingiu a minha família". Em tom ameaçador, disse ter certeza de que, "alguém pagará pelo que disse e fez pela justiça humana ou divina". Encerrou dizendo que, aquele programa "talvez" seria o último a ser apresentado por ele: "eu não tenho mais condições morais para falar".



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