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Coronavírus: Secretária de saúde de Curvelo responde questões frequentes


A crise causada pela Covid-19 vai muito além do caráter epidemiológico da doença. As implicações econômicas e sociais do coronavírus são problemas debatidos constantemente no mundo inteiro. Em cidades pequenas como Curvelo/MG, a enxurrada de informações é muitas vezes maior do que a capacidade da população de digerir todas as atualizações diárias sobre a doença. Essa falta de fôlego entre uma informação e outra acaba gerando dúvidas, causando ansiedade e alimentando boatos.

A dificuldade da população em entender os dados e a forma com a qual o sistema de saúde do país trabalha, suas normativas e protocolos, se alinham a ausência de uma linguagem simples e acessível nas comunicações oficias,  resultando em complicações que vão desde teorias conspiratórias até o linchamento virtual de familiares de pacientes, publicamente expostos por vazamentos de informações.

Para ajudar na digestão de tantas informações, o ClickCurvelo.com entrevistou, na manhã desta segunda-feira (20), a secretária de saúde de Curvelo, Rejane Valgas. Ela respondeu a questões que aparecem com frequência durante as publicações diárias dos boletins epidemiológicos de Covid-19 na cidade. A entrevista também foi transmitida ao vivo através do Instagram. Confira:

Qual a quantidade de leitos disponíveis para o atendimento de pacientes com Covid-19 na cidade?

Nós temos hoje 10 leitos de UTI no Hospital Imaculada Conceição e 10 leitos no Hospital Santo Antônio. Esses leitos normalmente se apresentam com ocupação alta, mas tendo em vista o cenário da pandemia, os dois hospitais já tomaram medidas no sentido de deixar esse leitos mais disponíveis para os pacientes.

Como funciona a notificação de pacientes de outras cidades atendidos em Curvelo?

Quando o caso chega no município [de Curvelo] e ele apresenta sinais e sintomas, ele é notificado no município [de Curvelo] mas com o endereço de residencia do paciente. O que acontece muito, como aconteceu em um caso recente, é que muitas vezes a pessoa chega para ser atendida e ela passa o endereço de Curvelo, achando que assim ela vai ter um acesso mais rápido ou alguma coisa nesse sentido. Haja vista este caso que aconteceu de Morro da Garça/MG, o paciente morava em Morro da Garça, mas deu o endereço de pessoas da família dele que moravam em Curvelo. Por isso houve esse problema da identificação na notificação do caso.

Nas redes sociais as pessoas relatam que o paciente que veio a óbito por Covid-19 teria tido contado com outras pessoas na cidade. Qual o histórico desse paciente?

Esse paciente já fazia tratamento no [município de] Morro da Garça, segundo informações da secretaria de saúde de lá. Ele foi encaminhado para o PA [Pronto Atendimento Municipal] daqui de Curvelo, foi atendido e durante algumas horas ele ficou na casa de parentes. Parentes esses que já foram contactados, estão aguardando o período de isolamento e foram devidamente orientados.

Por que o exame não está sendo realizado em todos os pacientes suspeitos?

Nós trabalhamos com a normativa do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Eu não me recordo a data certa, mas de uma nota técnica para cá foi estabelecido que todo caso de síndrome respiratória seja notificado, mas que a coleta seja feita somente nos casos graves e nos casos de profissionais de saúde. Essa medida foi adotada seguindo o critério da SES, que determina que a gente faça dessa forma.

Exite algum estudo com projeções de casos de Covid-19 para a cidade?

Na realidade existem alguns estudos, mas nada definitivo. Acredito que lugar nenhum pode se apegar a esses números, porque a gente tem visto essa doença se comportar de maneira diferente em cada lugar que ela chega. Na realidade tem estudos que falam que 1% da população seria infectada e que desse percentual 20% dependeriam do serviço público de saúde e que desses, 5% precisariam de leitos de UTIs, já tem outros [estudos] que falam que é 2%. Então, de concreto, não existe nenhum estudo onde a gente possa afirmar com segurança a nossa necessidade. Até porque, se houvesse, a gente teria condições de preparar todo o sistema para isso. Nossa grande dificuldade é essa: a gente não sabe realmente o comportamento da doença, que varia muito de local para loca.

Existe alguma omissão com relação aos casos confirmados na cidade?

Da nossa parte não tem questão nenhuma de omissão. Nós trabalhamos com o máximo de transparência possível. Muitas vezes quando o boletim demora sair é porque nós temos que chegar as informações. Isso é muito importa, [pois] a nossa fala é uma fala oficial, então ela tem que ser muito correta para que a gente não gere má interpretação.  Então não tem intuito nenhum, estamos trabalhando abertamente com transparência, todo caso que acontecer vai ser comunicado. Se o caso for de Curvelo ele vai ser divulgado para Curvelo. Realmente existe muita conversa que não existe [a doença], que nós não estamos querendo notificar... Isso não procede. Nós estamos trabalhando com toda transparência possível. Não tenho nenhum de dar essa doença de caso confirmado aqui em Curvelo, mas caso acontecer a população será imediatamente comunicada.

O decreto estadual que aplica a obrigatoriedade do uso de máscaras é válido para Curvelo?

O comitê [de Curvelo] não se reuniu ainda para deliberar sobre esse decreto, mas nós temos trabalhado com o que é colocado nos decretos estaduais, mas neste momento não saberia te dizer porque não houve ainda a reunião do comitê sobre a deliberação.

Existe alguma previsão de retorno das atividades escolares?

Não. Eu não saberia te dar essa resposta até porque não é um decisão minha, é uma decisão do comitê, então eu não saberia nesse momento em relação a questão escolar não.

Qual mensagem de conscientização você deixa para a população?

Em toda oportunidade que vocês da imprensa me dão, eu tenho falado da questão do isolamento social. E mais uma vez eu vou reiterar essa fala, como disse dias atrás: o fato de não ter casos positivos no  município não quer dizer que a circulação do vírus não está ai. Municípios tão próximos da gente como Morro da Garça, Três Marias, Belo Horizonte, Sete Lagoas, todos tem casos confirmados. Então com certeza esse vírus está circulando. E eu acho que é papel de cada um de nós, enquanto cidadãos, manter o isolamento social, lavar as mãos, [ter] etiqueta respiratória, porque é isso que vai ajudar a gente passar por essa fase da melhor maneira possível ou não. Então o meu apelo volta a ser com relação ao isolamento social.

A prefeitura ou os hospitais estão adquirindo novos leitos?

A determinação do estado é que  Curvelo, por não ter nenhum caso positivo, ainda não deve estar trabalhando com a ampliação. A gente enquanto saúde [municipal] monitora a saúde todos os dias e eles tem, enquanto estado,  uma sinalização de qual é o momento que o município deve estar trabalhando com leitos extras, hospitais de campanha, com essas questões. E vale ressaltar que, para além da nossa estrutura local, nossa referencia natural é o município de Belo Horizonte. Em Belo Horizonte já existe uma estrutura de hospital de campanha e houve um aumento, por parte do estado, dessa retaguarda de leitos de UTI nos hospitais de lá. O que o estado coloca para o município de Curvelo nesse momento é que por enquanto não é necessário ainda essas ações de expansão e que, caso nossos leitos cheguem a ocupação de 90%, nós teríamos essa retaguarda em Belo Horizonte. Lógico que isso é muito dinâmico, isso acompanha a evolução da doença, estou falando isso com vocês hoje, amanhã a informação pode ser diferente. Mas até então o posicionamento do estado em relação ao município de Curvelo é esse. Estamos monitorando, acompanhando de perto e também ansiosos com relação a essa questão: de qual é o momento de estarmos expandindo essa rede e se haverá realmente a necessidade de expansão.

Existe alguma previsão de flexibilização para abertura geral do comércio?

Essa decisão é do comitê, não é minha. Na realidade, o que eu sei de concreto é que: depois da última publicação do decreto, já está no cronograma do comitê uma avaliação dos reflexos da flexibilização dos cultos e da questão da meia porta do comércio pra receber as notas. Então já existe uma programação pra discutir o impacto disso. Agora, com relação a maior flexibilização [do comércio], até o momento eu não tenho conhecimento.



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